Os recentes impactos do COVID-19 no mercado de carnes brasileiro

Coronavírus - Covid 19

Os recentes impactos do COVID-19 no mercado de carnes brasileiro

Por João Costa Junior

Nas últimas semanas uma grande tempestade, chamado coronavírus (COVID-19), invadiu o nosso Brasil e vem causando grandes problemas desde a identificação do primeiro caso no final de fevereiro. Essa tempestade está tão forte que mal estamos conseguindo nos resguardar de seus respingos. Vários setores da economia brasileira entraram em colapso devido ao avanço da contaminação desse vírus pelo país. Além disso, as mudanças de cenários estão tão rápidas que está difícil de acompanhar tudo que vem ocorrendo.

Em nossa última postagem no blog falamos sobre o que poderíamos esperar para o mercado da carne diante do avanço da contaminação desse vírus, a curto, médio e longo prazo. Nela comentamos que, a duas semanas atrás, o vírus não tinha causado grande impacto no mercado da carne, mas que o pecuarista devia estar atento as mudanças de vento que poderiam ocorrer. Pois bem, como não poderia ser diferente, os ventos mudaram e a cadeia produtiva de carnes sentiu os impactos causados pelo COVID-19.

Os impactos na cadeia produtiva de carnes

Com o avanço da doença podem ser verificados mudanças em vários pontos da cadeia produtiva da cadeia da carne bovina. O mercado do boi gordo sentiu fortemente com o avanço do coronavírus. Vem sendo observado quedas no preço da arroba do boi em todas as regiões do país, com valores caindo em até R$20,00. Na última semana, os contratos futuros foram negociados abaixo de R$190,00. Diante desse fato, os pecuaristas optaram por não realizar novos negócios, segurando o gado no pasto, prática que tem sido permitida devido a pastagem presente resultado do clima chuvoso nos últimos meses.

Além disso, a propagação do vírus pelo Brasil, a menor demanda no segmento de food service, como em restaurantes, e as dificuldades logísticas para exportar carne bovina devido à falta de contêineres resultaram na paralisação de alguns frigoríficos pelo Brasil. A Minerva e JBS adotaram o regime de férias coletivas como forma de minimizar os impactos econômicos. A Minerva irá paralisaram 4 unidades desde o último dia 23/03, e a JBS indicaram a paralisação de cinco abatedouros. A Marfirg, segunda maior indústria de carne do país, ainda não sinalizou sobre paralisação de suas plantas.

Quanto ao mercado brasileiro da carne suína e aves, a indicação que não haja cortes de produção. Segundo o a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estão empenhados na manutenção do fluxo de oferta de alimentos para a população brasileira, em meio à crise do Covid-19. Segundo dados da ABPA, as devidas providências serão tomadas para a manutenção do bem estar de todos funcionários envolvidos no setor de produção das indústrias. Contudo, os avicultores e suinocultores estão preocupados com alguns pontos da cadeia produtiva, tais como, mão de obra, logística, abate e processamento da carne.

Em um panorama geral, a situação atual tem impactado consideravelmente no mercado, como pode ser visto pela queda do índice de confiança do consumidor brasileiro, segundo a Fundação Getúlio Vargas. O Índice de Confiança do Consumidor recuou 2,6 pontos em fevereiro, para 87,8 pontos, o menor valor desde maio de 2019, consequência dos impactos provocados pelo coronavírus e apontando um cenário preocupante para os próximos meses.

As precauções a serem tomadas pelos pecuaristas.

O pecuarista deve estar muito atento a essas incertezas e volatilidades do atual mercado. A eficiência é a palavra de ordem nesse momento. Buscar formas para conseguir se manter eficiente nos sistemas de produção e estar atento as menores perdas possíveis, por exemplo, quanto a compra e uso de insumos, além de estratégias para a manutenção do gado no campo, pode ser uma vantagem para enfrentar todo contexto atual. Quanto ao bem estar de sua equipe, para não haver a contaminação do coronavírus, o pecuarista deve ter atenção as recomendações feitas pela Organização Mundial da Saúde – OMS, considerando aos detalhes peculiares do campo. O importante é o agronegócio não parar diante dessa situação, pois nós somos a base de sustentação de toda a humanidade.

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