Os rumos das exportações de carnes frente ao COVID-19

exportações de carnes frente ao COVID-19

Os rumos das exportações de carnes frente ao COVID-19

Por João Costa Junior

Dando sequência as nossas últimas postagens aqui no blog. Nós estamos mostrando todos os desdobramentos dos últimos acontecimentos em recorrência da COVID-19. Já temos impactos no mercado de carnes, resultado da desaceleração global que demonstra uma instabilidade da indústria de carnes. As consequências a curto prazo já foram constatadas no mercado interno, com uma queda da arrouba e concessão de férias coletivas por alguns frigoríficos.

Quanto as consequências a médio e longo há uma luz no fim do túnel. E é nesse ponto que o texto de hoje irá tratar, mostrando todo o cenário que já passamos nos últimos meses e o que está por vir nos próximos.

As projeções para o mercado de carne

As projeções estavam muito promissoras para 2020, porém a pandemia da COVID-19 poderá modificá-las de forma negativa a curto e médio prazo, e possivelmente positiva a longo prazo. Para entendermos o contexto, primeiramente vamos avaliar o cenário global e o cenário brasileiro nos últimos meses.

Como comentamos no post sobre a nova crise econômica, com o estouro do coronavírus e o fechamento dos portos na China, o descarregamento das importações no país asiático foi impedido. Isso levou muitos navios a mudarem a rota para Cingapura, Tailândia e Vietnã, aumentando os custos da exportação para os frigoríficos brasileiros. Esse caos da logística gerou efeitos a curto e médio prazo para as exportações brasileiras. Após o seu surgimento da COVID-19 na China houve uma diminuição da circulação de pessoas nas ruas, o que diminuiu o consumo chinês fora de casa, resultando no fechamento de lojas do setor de varejo. Isso ocorreu, pois, a carne bovina, cordeiro e frutos do mar possuem maior consumo nos restaurantes chineses. Esse contexto resultou na paralisação do comercio, produção e cadeia de suprimentos do país asiático.

Além disso, como os chineses estão mais cautelosos devido à COVID-19, as operações para conter o vírus, tais como, fechamentos de mercado, bloqueios de estradas e as operações portuárias têm impactado negativamente na logística Chinesa de abastecimento de carne e produção industrial global, afetando vários países, entre eles, o Brasil com o qual possui relações comerciais. Além disso, o cancelamento de alguns importadores europeus, região muito afetada com o coronavírus. Esses dois fatores somados impactam negativamente na importação de carne bovina brasileira. Para se ter uma ideia, no mês de fevereiro, as exportações já apresentavam uma queda de 3% do volume na comparação com janeiro e caíram 6% ante o mesmo mês de 2019. A diminuição das exportações para a China, fez com que a maior parte dos frigoríficos diminuíssem a compra de animais, devido ao preenchimento dos programas de abate para exportação. Como resultado, os frigoríficos brasileiros direcionaram a produção para o mercado interno, o que não é interessante para a indústria, pois os atuais valores do boi gordo não conseguem remunerar o valor da carne vendida, o que gera frustações para a indústria.

No mercado de carne suína e de frango, as perspectivas ainda são muito instáveis, pois as incertezas sobre o mercado chinês trazem um clima de tensão para os produtores. Contudo, segundo o Rabobank, instituição financeira focada na análise do mercado agronegócio, acredita que a China vai manter ou aumentar as importações de todos os tipos de proteína animal em 2020.

Ao olharmos o mercado interno brasileiro, verificamos que se a proliferação do vírus for mantida nos próximos meses, há uma situação alarmante, com perspectivas não muito favoráveis a médio e longo prazo. Muitos frigoríficos já estão dando férias coletiva e fechando temporariamente algumas plantas. Isso tem efeito direto sobre o produtor rural, que terá que segurar mais os animais dentro da porteira, mesmo já prontos para o abate. Esse contexto pode impactar diretamente o abastecimento interno. É importante ressaltar que o mercado interno absorve a maior parte da produção de proteína animal brasileira, com cerca de 75% da carne bovina, 70% da carne de frango e 80% da carne suína. Qualquer aumento da proliferação pode trazer resultados danosos para todos os elos da cadeia.

Como comentamos no post sobre os impactos do coronavírus na pecuária brasileira, a arrouba do boi sofreu queda nesses dias e o mercado indica que essa queda pode se propagar nos próximos meses, o que pode ser danoso para o pecuarista. Além disso, as exportações podem diminuir, conforme indicado. Ou seja, o pecuarista que vem trabalhando para exportar pode ter seu produto inserido no mercado interno, o que resulta em menor ganho, devido ao menor preço pago.

Perspectivas a longo prazo

Ao olharmos o cenário a longo prazo, podemos ter uma luz no fim do túnel, pois a ações de combate ao vírus tem permitido a reabertura e normalização das operações, o que pode elevar a procura (e os preços) do boi gordo no Brasil. Além disso, o anúncio do governo chinês de que não houve novas infecções locais pela primeira vez desde o início da epidemia, pode indicar o aumento do consumo de proteína animal a médio e longo prazo, contudo, é muito difícil realizar essa previsão, visto que as curvas de infecção do vírus podem oscilar nos próximos meses, resultando em nova onda de contaminações na China e outros países europeus, conforme indica a Organização Mundial de Saúde.

O importante é estarmos preparados para as mudanças que possam acontecer com a pecuária nos próximos meses. Por isso, buscar os recursos tecnológicos e humanos para gerenciar as fazendas a distância, com atenção as propostas estratégicas, táticas e operacionais será a solução para que possamos atravessar essa crise sem grandes problemas. A pergunta que muitos devem estar fazendo é como realizar essa gestão sem perder qualidade e eficiência. Para isso, nós estamos preparando um texto para responder essas e outras perguntas. Aguardem!!!

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