Empreendedorismo feminino na transformação digital da pecuária

Empreendedorismo feminino na transformação digital da pecuária

Por João Costa Junior

O mundo passa por mudanças constantes, seguindo sempre os avanços tecnológicos e os movimentos sociais que moldam a nossa realidade. Nesse contexto, o empreendedorismo é um importante alavanca para o avanço mundial em diversas áreas. Contudo, mudanças de paradigmas é o ponto de partida para que possamos criar ações tangíveis de serem aplicadas em qualquer área.

Nesse contexto, você já ouviu falar sobre empreendedorismo feminino?

Em um setor que, historicamente, tem predominância de lideranças masculinas, a cada ano as mulheres vem adquirindo seu espaço em posições de destaque, seja como produtoras, ou em cargos estratégicos, públicos e executivos.

Em todos os setores da economia, as mulheres estão ocupando espaço no mercado de trabalho, em um fenômeno resiliente, crescente e sólido na sociedade atual. No agronegócio, setor tradicionalmente masculino, onde dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que 65% da população ocupada no setor é formada por homens, essa tendência não tem sido diferente. As mulheres saem do papel historicamente dado pela sociedade, mostrando que são extremamente competentes para empreender no agronegócio.

Por serem multifacetadas, detalhistas, criativas, e mais humanas, além de possuírem uma alta capacidade para estabelecerem e gerenciarem relacionamentos interpessoais, elas têm assumido papeis de liderança em diferentes áreas do agronegócio.

E não para por aí… As mulheres mostram que são e serão as grandes fomentadoras da transformação digital no setor do agronegócio. Pesquisas indicam que elas estão cada vez mais cientes sobre a importância de automatizar os processos de gestão da fazenda. Por isso, são as responsáveis por trazer as inovações tecnológicas para dentro da porteira, o que tem permito o aumento da eficiência dos processos produtivos.

Por isso hoje, no Dia das mães vamos fazer o seguinte questionamento…

– De que forma essas mães que são mulheres, empreendedoras, agricultoras, pecuaristas, gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras pode alavancar a transformação digital do agronegócio do agronegócio?

– Como a transformação digital pode ser um fomentador da representatividade feminina no agronegócio?

Essas e outras informações você encontra aqui, vem com a gente!

Representatividade da mulher na sociedade

As mulheres dos tempos atuais são diferentes daquelas do começo do século. Elas saem do papel de dona de casa, com pouca formação acadêmica e começaram a assumir cargos antes tradicionalmente masculinos. Contudo, elas não largaram, as tarefas tradicionais de ser mãe, esposa e dona de casa. Ou seja, ao invés de trocar os papeis elas somente aglutinaram novas tarefas em sua rotina diária.

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado em 36 países (Clique aqui para acessar o relatório) mostrou que 25% das mulheres brasileiras de 25 a 34 anos têm ensino superior e têm 34% mais probabilidade de se formar no ensino superior do que os homens. Ou seja, as mulheres estão se tornando cada vez mais capacitadas para ocupar cargos de maior exigência acadêmica. Contudo, o mesmo relatório indica que a empregabilidade é melhor entre mulheres que para homens brasileiros de 25 a 34 anos, sendo de 82% para mulheres com ensino superior, 63% com ensino técnico e 45% sem capacitação. Entre os homens, o valor é de 89% para os que possuem ensino superior, 76% para ensino técnico e 76% sem nenhuma formação.

As áreas de formação escolhidas podem explicar parte desse resultado, pois as mulheres estão significativamente mais inseridas nos campos de educação e ciências sociais, e os homens nas áreas de tecnologias da informação e da comunicação, engenharia e construção. Além disso, o rendimento salarial das mulheres, progressão de carreira, a natureza do trabalho, tipos de contrato e vida familiar podem ser fatores influenciadores nessa discrepância de gênero.

Mulheres no Agronegócio

O crescimento da força do agronegócio tem ocorrido de forma exponencial no Brasil, representando em torno de um terço do nosso PIB. Esse dado mostra, dia após dia, a importância do setor no papel de roda motriz da economia. Para assegurar o bom funcionamento da máquina econômica como um todo, sem causar um desgaste do setor, é essencial inovações tecnológicas e sociais.

Por isso, os anos recentes têm mostrado que os ganhos não foram só de produtividade, mas de aumento da representatividade feminina e aumento do uso de tecnologias. Dados da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) de 2017 mostraram que em 2013 apenas 10% das propriedades rurais do País tinham mulheres no comando. Já em 2017 esse valor saltou para 30%!

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indica que as mulheres representam 43% da força de trabalho rural mundial e sua participação à terra, pecuária, educação, serviços financeiros, extensão, tecnologia e emprego rural, têm resultado no aumento significativo da produtividade e produção agrícola responsável e sustentável, contribuindo para o desenvolvimento econômico e para o bem comum social.

Em pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) (clique aqui para acessar o arquivo) mostrou que muitas mulheres têm uma segunda atividade profissional, mostrando o quanto são empreendedoras. Ao mesmo tempo, buscam uma renda extra fora da propriedade para não renunciaram à paixão pelo campo. Essa capacidade multitarefa só ocorre, pois elas são gestoras competentes, trabalhadoras motivadas e bastante conciliadoras, pois transitam entre o campo e a cidade com a mesma facilidade que harmonizam a carreira e a família.

Quais cargos ocupam, locais e tipos de atuação no agro?

A conquista no campo tem levado as mulheres a assumirem a direção de propriedades rurais, oferecendo a oportunidade de mostrarem sua competência ante o agronegócio. Dia após dia cresce o número de mulheres que se fazem presentes no campo — como pecuaristas, pesquisadoras, agricultoras, executivas de empresas do setor e empreendedoras. Essa forte tendência das mulheres no agronegócio pode ser verificada na pesquisa da Abag mostrou quais cargos ocupam, locais e tipos de atuação no agro.

Em relação à posição ocupada no agronegócio, a maioria, ou seja, 59,2% das entrevistadas, é proprietária ou sócia; 30,5% são funcionárias ou colaboradoras; e 10,4% são gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas. Com relação aos locais de atuação, a pesquisa mostrou que 49,5% das entrevistadas atuam em propriedades classificadas como minifúndio, 26,1% em pequenas propriedades, 13,5% em médias e 10,9% em grandes fazendas. Por tipo de atividade, 73,1% trabalham dentro das fazendas, 13,9% nos elos da cadeia produtiva após a fazenda e 13% “antes da porteira”.

Em relação ao tipo de atuação, 73% das mulheres trabalham nas atividades dentro da propriedade rural, 3,7% atuam em cooperativas, 3,4% operam na área de insumos, 3% são fornecedoras de produtos ou serviços para a cadeia do agro, 2,8% são do comércio, 2,3% estão em segmentos ligados a governos, e 2,1% trabalham em atividades nos vários segmentos da agroindústria.

A diversidade de gênero no mercado de trabalho é extremamente importante e mais eficiente. As mulheres têm posições e visões diferentes. Por terem um perfil gregário resulta em maior troca de experiências e informações com vizinhos e consultores. Além disso, elas buscam trabalhar mais no tema sucessão rural e inclusão da família no negócio.

A transformação digital no empreendedorismo feminino

A transformação digital no agronegócio tem crescido dia após dia no campo. A todo momento vemos uma nova tecnologia chegando ao mercado com o objetivo de trazer melhorias nos processos nos sistemas de produção animal. Esse contexto, tem criado excelentes oportunidades para quem deseja empreender, pois ainda há uma dimensão muito grande de ações em cada segmento e inúmeras possibilidades de negócios em cada uma delas.

O aumento do uso das diferentes tecnologias de processos, insumo e produtos tem diminuído a necessidade dos trabalhos que exigem grandes esforços físicos. Esses avanços atraem cada vez mais mulheres, desmistificando aquela premissa que o trabalho no campo exige força. Assim, as mulheres passaram a ter maior inserção em diversas funções dentro das fazendas, fomentando mais o desenvolvimento do setor.

Além disso, a adoção de tecnologias nas propriedades rurais elevou a exigência acadêmica dos colaboradores, tornando o trabalho do campo mais estratégico, com maior exigência para o planejamento. Esse contexto, facilitou ainda mais o aumento da empregabilidade feminina, visto que há maior número de mulheres formando no ensino superior que homens. Dados da Abag mostrou que 60% das mulheres entrevistadas tinham escolaridade em nível superior — isso numa época em que é cada vez mais difícil encontrar mão de obra qualificada no campo.

As mulheres têm buscado mais conhecimento e aperfeiçoamento. Além de serem conectadas, como mostrou a pesquisa da Abag sobre a conectividade das mulheres no campo. Elas são conectadas com a maioria das modernas ferramentas de comunicação. Entre os principais instrumentos de comunicação, 92,9% utilizam o Facebook, 95,1% o WhatsApp, 68,8% o YouTube, 54,8% o Instagram e 65,3% o Messenger.

As mulheres estão atentas ao mundo digital e suas inovações, além de circularem em várias redes sociais para se comunicar e se informar-se do que está acontecendo no mundo. Ou seja, trazer informação e conhecimento para elas permitirá uma transformação digital ainda maior para o agronegócio. Sem contar que sabem da importância de utilizar meios tecnológicos para agregar valor e facilitar a gestão rural.

Outro ponto interessante da pesquisa foi que entre os 16 assuntos que elas gostariam de obter maior conhecimento, a tecnologia ficou em 8º lugar (20,1%), estando atrás de gestão de pessoas (56,85%), gestão empresarial (54,5%%), negociação (27,3%%), gastronomia (25,6%), bolsa de valores (21,5%), viagens (21,6%) e vendas (21%). Por outro lado, a moda foi o último colocado. Esse resultado mostra que as mulheres estão fugindo do estereótipo feminino, e buscam o conhecimento do mundo dos negócios para ter uma voz ativa nos processos empresariais onde estão inseridas.

Podemos verificar que as mulheres já romperam algumas barreiras históricas, conquistando a cada dia, com habilidade e competência seu lugar no agronegócio. Esse novo cenário de evolução tecnológica e social permite a criação de um novo modelo de negócio do agronegócio, onde a eficiência, eficácia e humanidade tornam-se fatores essenciais para os processos decisórios de nosso setor, alcançado resultados significativos nas propriedades rurais.

Por fim, gostaríamos de desejar um Feliz dia da Mães a todas as mães que estão no campo empenhada para que nosso agronegócio seja a cada mais produtivo e expoente.

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