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Boi Exportação – Expectativas X Realidade em 2020

Boi Exportação – Expectativas X Realidade em 2020

O Agro é forte!

Oportunidade e estratégia são as palavras que estão em alta nos últimos 12 meses na pecuária de corte nacional. Nesse período verificamos mudanças de cenários que demandaram muito jogo de cintura, sangue frio e tomadas de decisões rápidas dos pecuaristas. Após um longo período de 05 anos com preços baixos, o último trimestre de 2019 fechou apresentando um aumento recorde na arroba do boi, ocasionado pelo aumento das exportações para a China – 17 novas plantas habilitadas a exportar para o mercado chinês, e outros países como Indonésia, além da expectativa de exportação com a reabertura dos Estados Unidos para a carne bovina in natura do Brasil.

Começamos o ano de 2020 com um cenário que se mostrava favorável, com as entidades econômicas indicando um crescimento na ordem de 2% para a economia brasileira. Além disso, as exportações estavam trazendo energia para o pecuarista, com uma possível continuidade da demanda internacional aquecida devido aos mercados abertos, com uma expectativa de aumento em 14% no volume de carne bovina exportada. Contudo, com a baixa oferta de animais, resultado do crescente abate de fêmeas em anos recentes, a pecuária nacional precisaria focar no aumento de produtividade para conseguir atender à crescente demanda por novos lotes para abate. Ou seja, tínhamos somente uma lição de casa a ser feita para conseguir sucesso em 2020.

Porém, em meados de março nos deparamos com a chegada da pandemia do COVID-19, o que trouxe ao mundo uma drástica mudança de comportamento com a necessidade de manter as pessoas de inúmeros países em quarentena para evitar a propagação da doença. Esse contexto trouxe incertezas para o pecuarista, pois havia um indicativo de queda do consumo da carne bovina em vários países, entre eles China e EUA – que no final do ano estavam sendo nossa grande alegria para 2020.

O valor do agronegócio na economia do país

Entretanto, o agronegócio mostrou seu valor para a economia brasileira e foi o único a crescer em meio a pandemia, apresentando um crescimento de 0,6% no primeiro trimestre de 2020 em comparação ao quarto trimestre de 2019. O Produto interno Bruto cresceu 4,62% no acumulado de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019. Na pecuária não houve grandes obstáculos. Em um primeiro momento tivemos preocupações com relação a reação do mercado frente a pandemia, considerando a possibilidade de um forte impacto interno. Entretanto, a pecuária se manteve firme com a manutenção do fluxo dos animais das fazendas aos frigoríficos até os consumidores finais, sejam eles internos ou externos.

Pecuária de corte sem solavancos

Mesmo diante de uma pandemia, nós mostramos a nossa capacidade de conseguir abastecer o mundo com proteína animal. No caso da pecuária de corte, as expectativas positivas de bons preços da arroba do boi foram mantidas. Em uma visão a longo prazo, segundo dados do Cepea, a variação acumulada de 2010 a 2020 foi de 157,61%. Comparando 2019 e 2020 a variação foi de 31,5%, com média de preço de R$200,11.

As exportações da carne bovina foram os grandes fomentadores dos ótimos resultados observados, com um crescimento de 9% no primeiro semestre de 2020, em relação ao mesmo período de 2019, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Esses resultados se devem ao mercado chinês que que foi responsável por 57% das exportações brasileiras de carne bovina, seguido do Egito, Chile, Rússia, Arábia Saudita e EUA. Esses dados reforçam o cenário positivo que a pecuária de corte em 2020.

Vale ressaltar que apesar dos ótimos valores da arroba do boi e crescente exportação da carne bovina, o preço do bezerro tem sido ponto de gargalo, com preços também elevados no momento da compra, indicando que o pecuarista não teve grandes margens de lucro. Esse cenário coloca em risco a viabilidade a médio e longo prazo da atividade de recria e engorda.

Perspectivas – você está preparado?

A analisarmos todo o cenário através de um “zoom out”, o episódio da pandemia veio em um momento que o pecuarista estava preparado com disponibilidade de pastagem, o que possibilitou usar de estratégias para venda do gado em momentos oportunos. Na terminação, o pecuarista tem diminuído seu poder de compra de animais de reposição, tendo em vista que os valores do bezerro e do boi magro subiram com bastante força nos últimos meses. No caso da recria, a forte valorização do dólar neste ano elevou os preços dos insumos, atrapalhando um pouco a margem de lucro, mas com a busca de alternativas e estratégias, o recriador poderá ter bons resultados. No primeiro elo da cadeia, no caso, a cria, as perspectivas são bem favoráveis já que o preço do bezerro segue em alta, resultado do descarte de vacas nos últimos anos, como já falamos.

Podemos dizer que, da mesma forma que a cria foi o último elo a capturar a recuperação da carne no ano passado, que primeiro puxou o boi, agora será o último a sofrer com uma possível piora do cenário a longo prazo. De modo geral, a recuperação da economia devido a diminuição da pandemia e aumento da demanda de carne promete trazer um cenário positivo para a pecuária de corte.

Perspectivas para o futuro

As perspectivas a médio prazo são muito favoráveis para a pecuária de corte, com bons valores para o mercado de boi no Brasil. Especialistas indicam as exportações manterão aquecidas, com o mercado chinês aquecido e buscando nossa carne. A longo prazo também temos estimativas favoráveis, como mostra a pesquisa realizada pela Fiesp que indica que a produção de carne bovina vai crescer 27% até 2029. Com boas expectativas de exportação.

Para conseguir ter bons lucros nesse contexto, o pecuarista não deve afrouxar seu trabalho, buscando trabalhar de forma cada vez mais eficiente para atingir mais e mais eficiência nos sistemas de produção. Para isso, a adoção de tecnologias entra como um forte aliado para melhorar as estratégias de manejo nos diferentes elos da cadeia produtiva, o que permitirá lidar com diferentes contextos que poderão surgir.

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