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CAR – Consumo Alimentar Residual como ferramenta para provas de eficiência alimentar.

CAR – Consumo Alimentar Residual como ferramenta para provas de eficiência alimentar.

A seleção de animais para eficiência alimentar está diretamente relacionada a melhoria dos processos produtivos e conversão em produtos de maior qualidade para o consumidor, com uma rentabilidade cada vez maior para o produtor.  Ao longo dos anos inúmeros processos para mensurar a eficiência animal foram estudados, testados e implementados. E entre os que mais se destacaram está o Consumo Alimentar Residual, conhecido como CAR. (Koch 1963).

A partir dos anos 90 a utilização do método CAR conquistou relativa notoriedade por calcular a eficiência alimentar nas provas de desempenho mediante a mensuração da diferença entre o CO consumo observado (CO) e o consumo estimado (CE), contribuindo diretamente para a seleção genética de animais que consomem menos para um mesmo ganho de peso, com menos custos de manutenção, aumentando a rentabilidade dos processos produtivos nas fazendas.

Alguns critérios como o peso dos animais em suas diferentes fases, o ganho médio diário, idade do primeiro parto, a circunferência escrotal, qualidade da carcaça e até o desempenho reprodutivo são variáveis adotadas para avaliação do melhoramento genético do animal na busca por maior lucratividade. Além disso, nos últimos anos, a seleção para eficiência alimentar tem ganhado destaque na seleção de animais, visto que o aumento dos custos com alimentação tem se tornado um dos custos variáveis totais que mais pesam no bolso do pecuarista, girando em torno de 3/4 do total.

A necessidade da seleção de animais mais eficientes torna-se necessário para a sustentabilidade econômica dos ciclos produtivos nas fazendas sem afetar outras características produtivas ou reprodutivas dos rebanhos.

Com calcular o CAR

Nas últimas décadas, vários estudos sobre eficiência alimentar foram direcionados para o CAR, tornando-o uma importante medida de avaliação entre a diferença do quanto o animal deve consumir para chegar a determinado peso e o quanto ele, de fato, consumiu.

Como afirmamos, o CAR leva em consideração a diferença entre o consumo observado em relação ao consumo esperado para aquele rebanho, considerando ganho de peso diário (GPD) e o PV do animal. Como resultado temos animais que consomem menos do que o esperado e animais que consomem mais do que o esperado dentro do sistema. É o que chamamos de CAR negativos e CAR positivos, respectivamente. Confirmando a eficiência ou não dos animais.

O CAR calculado com base no consumo esperado e sendo este um valor de consumo balanceado para o peso vivo do animal, se torna uma medida de eficiência sem nenhuma relação com o peso do animal, podendo ser utilizada para a seleção de eficiência alimentar sem que isso leve a modificações do tamanho corporal da população no confinamento.

Sabemos que animais de estruturas corporais semelhantes podem apresentar ganhos de pesos diários parecidos, no entanto, o consumo diário de alimento pode variar. O mesmo para casos inversos, como animais de consumo alimentar similares podem apresentar uma variação em seu ganho de peso.

O CAR é eficiente?

Em termos circunstanciais, o cálculo da eficiência alimentar pelo CAR é simples, comprovadamente eficiente e lucrativo a médio e longo prazo para o produtor. Porém existem contrapontos a metodologia de cálculo do consumo alimentar, como o efeito contrário de seleção para eficiência em relação a porcentagem de gordura corporal, onde um menor valor resultaria em prejuízos na qualidade do produto final, afetando inclusive aspectos reprodutivos do animal.

No entanto, tecnologias utilizadas em paralelo nas provas de eficiência, como o uso de ultrassonografias, têm possibilitado assegurar que não haja prejuízos ou perdas com a deposição de gordura sobre a carcaça. Nesta perspectiva, o CAR torna-se um recurso para esculpir animais com bio estruturas adequadas, preservando os aspectos qualitativos da carcaça, além das suas características reprodutivas.

Como se utilizar o CAR?

Um ponto de discussão na utilização do CAR, como critério de seleção, é com relação a identificação da eficiência de animais em grandes lotes devido ao custo ao levar esses animais para participar das provas de desempenho. Uma das alternativas que podem ser adotadas pelos pecuaristas é realizar as provas de eficiência alimentar em sua fazenda, como uma forma de promover uma seleção prévia nesses grandes lotes. Os animais selecionados são levados para as provas inter-rebanhos, o que resultaria na diminuição dos custos de avaliação de grandes lotes.

Sendo a infraestrutura utilizada, o tempo e os métodos de análise dos dados das provas serem fatores condicionantes ao emprego do CAR, tecnologias como as balanças e cochos eletrônicos de utilização voluntária tornam a prova de eficiência alimentar mais acessível a todos os pecuaristas, visto que há menor utilização de mão de obra para executar mensurações, controle voluntário dos animais para coleta de dados, além de grande quantidade de informações coletadas durante os períodos de avaliação.

CAR sustentabilidade

Ainda existem lacunas a serem preenchidas quanto as avaliações de eficiência alimentar com o uso do CAR. Do ponto de vista científico ainda é uma metodologia jovem como todas as inovações tecnologias que o agronegócio tem adotado dentro da porteira. No entanto o uso do CAR traz impactos econômicos, além de efeitos positivos na sustentabilidade ambiental durante o ciclo produtivo da carne pela redução de gás metano originados da digestão orgânica pelos ruminantes, e menor consumo pastoril para animais com o mesmo rendimento de carcaça.   

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