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Indicadores de eficiência e a adoção de tecnologia nas propriedades rurais

Indicadores de eficiência

Indicadores de eficiência e a adoção de tecnologia nas propriedades rurais

Por João Costa Junior

Que o Brasil está entre os maiores produtores de carne bovina no mundo, já sabemos e temos orgulho disso, porém a eficiência dos processos produtivos ainda é baixa. E por esse motivo, os bovinocultores de corte têm buscado incessantemente formas que possam aumentá-la. A taxa de desfrute é um indicador que pode ser utilizado para mensurar a eficiência dos processos produtivos, onde o seu aumento indicará que o sistema está sendo mais eficiente, pois há maior produção interna do rebanho.

Mas o que é a taxa de desfrute?

De forma simples, é a capacidade que um rebanho tem de produzir (em arrobas ou cabeças) em um determinado espaço de tempo comparado ao rebanho inicial, ou seja, é o quanto que esse rebanho consegue gerar de excedente.

Ao analisarmos a taxa de desfrute dos últimos 20 anos do Brasil, a média foi de 20,53%, variando de 17,6% (2016) a 23,3% (2007). Em 2019 foi de 20,7% com previsão de aumento para os próximos anos, o que mostra melhorias nos processos produtivos. Mas esses valores são bons ou ruins? Para cada categoria há diferentes mensurações, sendo o ideal, maiores que 35% para criadores de bezerros, 45% para sistemas de ciclo completo e 55% para recria/engorda. Ao olharmos as taxas da Austrália e EUA observa-se valores de 38% e 50%, respectivamente. O que podemos concluir? O Brasil ainda está muito aquém do ideal em termos de eficiência nos processos produtivos.

E o que podemos fazer para mudar esse contexto?

O primeiro passo é assumirmos que há uma necessidade de mudanças nas operações dos sistemas de produção. Porém isso não é tarefa fácil, visto que a taxa de desfrute é um parâmetro influenciado por diversos fatores, tais como: o sistema de criação, a raça, natalidade, idade à primeira cria, lotação, peso e idade ao abate e abate de fêmeas, ou seja, basicamente tudo que acontece na fazenda refletirá nesta taxa. A partir do momento que é dado esse primeiro passo, a adoção de tecnologias entra como um fator primordial para a fomentação da eficiência e lucratividade das operações. Vamos entender a importância na adoção de tecnologias?

Zootecnia de precisão como fomentadora da intensificação.

A partir do que já foi mostrado, podemos afirmar que a taxa de desfrute será o termômetro dos sistemas de produção animal, certo? Por isso, é importante entender que ela passa a ser uma variável que deve ser monitorada nas diferentes fases das operações (cria, recria e engorda). Assim, torna-se necessário a adoção de tecnologias que favoreçam o aumento dessa taxa.

Mas, uma pergunta que pode ser feita é com relação aos custos operacionais da adoção de tecnologias. Bom, em uma pesquisa realizada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em várias propriedades americanas, mostrou que nos sistemas com alta adoção tecnológica, a redução dos custos pode atingir até 53% em relação às de baixa adoção. Isso mostra que a zootecnia de precisão surge como uma importante ferramenta para a intensificação, pois auxilia na otimização do manejo, maximiza os recursos, aproveitando, correta e sustentavelmente toda área disponível.

Como retorno, a adoção das inovações tecnológicas pode ser utilizada para melhorar o manejo nos sistemas de produção, gerando dados e ajudando a melhorar os indicadores de eficiência. Ao final, todas essas ações irão favorecer para prever ou prevenir futuros eventos no sistema de produção, tornando-se fator crucial na tomada de decisão. Ou seja, reduziremos drasticamente a perdas com uma correta adoção das tecnologias.

Neste ponto surgem as seguintes perguntas: – Como coletar os dados, processá-los e analisá-los? Falaremos sobre isso nas próximas publicações do Intergado TEC.

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